segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Até por não ser divulgada em canal aberto ou minimamente publicitada
(sabe-se lá porquê ...), trata-se de matéria de relevante interesse
público e, em consciência, existe obrigação moral de o fazer chegar ao
maior número de portugueses.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

IDOSOS ABANDONADOS

Tornou-se uma calamidade este tratamento desumano que os pais e avós sofrem da parte dos seus descendentes.
Esquecem-se do carinho com que foram criados, mas não se esquecem de lhes sacar os bens e as pensões para fazerem uma vida de que não são dignos.
Falou-se em publicar uma lista com caloteiros de água e luz e pergunto porque se não publica a lista das pessoas abandonadas, sua naturalidade, etc. para que se saiba.

domingo, 5 de agosto de 2012

Por Afonso Lopes Vieira


Por Afonso Lopes Vieira
1878-1946



Se um inglês ao passar e me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!

se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,

fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.

Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,

fui eu que t'as cedi num dote de princesa.

e para te ensinar a ser correcto já,

coloquei-te na mão a xícara de chá...


E se for um francês que me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!

Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa

de ter sido cigarra antes da Provença.

Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei

Antes de Montgolfier, um século! Voei

E do teu Imperador as águias vitoriosas

fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas

o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,

por essa Espanha acima, até casa a coxear



E se um Yankee for que me olhar com desdém,

Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!

Quando um dia arribei á orla da floresta,

Wilson estava nu e de penas na testa.

Olhava para mim o vermelho doutor,

— eu era então o João Fernandes Labrador...

E o rumo que seguiste a caminho da guerra

Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.



Se for um Alemão que me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!

Eras ainda a horda e eu orgulho divino,

Tinha em veias azuis gentil sangue latino.

Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...

Siguefredos hei mil, mas de real valor.

Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!

Os Nibelungos meus estão vivos na História.



Se for um Japonês que me olhar com desdém,

num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!

Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!

Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça

belicosa do mundo e do futuro ameaça.

Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda

foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.



Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;

Vejo no firmamento as estrelas de Deus,

e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:

— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,

extasiado fixou pela primeira vez...

Estrelas coroai meu sonho Português!


P.S.



A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!

Não concebo sequer que me olhe com desdém.